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Há uma grande diferença entre praticar uma religião e experimentar um relacionamento com Deus. Há uma grande diferença entre religião e salvação. Há muitas religiões, mas um só Deus e um só Evangelho. Religião vem dos homens; "O Evangelho é o poder de Deus para a salvação por meio de Jesus Cristo". Religião é o ópio do povo; Salvação é presente de Deus ao homem perdido. Religião é história do homem pecador que precisa fazer alguma coisa para o seu deus imaginado. O Evangelho nos diz o que o Deus Santo fez pelo homem pecador. Religião procura um deus; O Evangelho é a Boa Nova de que Jesus Cristo procura o homem que se encontra no caminho errado. "Porque o Filho do Homem veio salvar o que se havia perdido" (Mateus 18:11). O Evangelho muda o ser humano por dentro por meio da presença do Espírito Santo de Deus em seu coração. Nenhuma religião tem um salvador ressuscitado, que perdoa os pecados e dá vida eterna, pois só Jesus Cristo venceu a morte. Por isso, dirija-se só a Jesus Cristo. Ele é o único que pode perdoar os seus pecados e lhe dar vida nova nesta vida e vida eterna no reino de Deus. "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo" (Atos 16:31). "E o sangue de Jesus , Seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (I João 1:7). Receba a Jesus AGORA em seu coração como seu Salvador e como único Senhor de sua vida. "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações"; "Hoje é o dia da Salvação". E depois de aceitar a Cristo Ele diz: "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (João 14:15). "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor" (João 15:10). "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele" (João 14:21).

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Contradição em Mateus 8:28? - Exegese Bíblica



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A história do mundo em um capítulo da Bíblia


As Profecias de Daniel

Capítulo 2 de Daniel

A História da humanidade relata que milhares de pessoas sempre quiseram conhecer o futuro. A busca contínua pelo que virá atravessa os séculos e nos dias de hoje é alvo constante de especulações de todas as partes. Muitos, no desespero de conhecer o amanhã, procuram o sentido da vida nos lugares errados e com as fontes erradas.

Quantas páginas você gastaria para escrever a história da humanidade? Historiadores afirmam que precisariam em torno de seis mil livros para contar nossa História.

Daniel 2 revela o passado, o presente e o futuro em apenas nove versos. Deus apresentou um esboço da história do mundo, cobrindo um período de 2.500 anos, desde os tempos de Daniel até os nossos dias.

Em Sua Palavra, Deus revelou o futuro para todos Seus filhos sem qualquer distinção, a fim de que tivéssemos tempo de nos preparar para o que logo virá.


Deus Revela o Futuro

Daniel 2:1 – “No segundo ano do reinado de Nabucodonosor teve este um sonho; o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono”.

No ano 603, a.C. Nabucodonosor, rei da Babilônia, preocupado acerca do futuro teve um sonho impressionante, mas que ao acordar, esqueceu. E por isso ficou muito perturbado.

Daniel 2:2 – “Então, o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus, para que declarassem ao rei quais lhe foram os sonhos; eles vieram e se apresentaram diante do rei”.

Daniel 2:3 – “Disse-lhes o rei: Tive um sonho, e para sabê-lo está perturbado o meu espírito”.

Imediatamente, o rei mandou convocar ao palácio um grande grupo de “homens sábios” do reino. O problema é que ele não conseguia se lembrar de nenhum detalhe do sonho que lhe parecia de primordial importância.

Treinados e sustentados pela corte, os sábios diziam estar sempre em contato com os deuses. Possuíam um verdadeiro estoque de interpretações para sonhos.

Eles sempre tinham respostas para tudo; sempre na expectativa pelas ricas recompensas que receberiam. Mas, normalmente, extraíam previamente as informações suficientes para formar uma base para interpretações falsas, de caráter unicamente humano. Assim, se tão-somente o rei pudesse contar-lhes o sonho, o resto seria fácil.

Daniel 2:4 – “Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive eternamente! Dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação”.

Daniel 2:5 – “Respondeu o rei e disse aos caldeus: Uma coisa é certa: se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas monturo”;

Daniel 2:6 – “mas, se me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dádivas, prêmios e grandes honras; portanto, declarai-me o sonho e a sua interpretação”.

Daniel 2:7 – “Responderam segunda vez e disseram: Diga o rei o sonho a seus servos, e lhe daremos a interpretação”.

Daniel 2:8 – “Tornou o rei e disse: Bem percebo que quereis ganhar tempo, porque vedes que o que eu disse está resolvido”,

Daniel 2:9 – “isto é: se não me fazeis saber o sonho, uma só sentença será a vossa; pois combinastes palavras mentirosas e perversas para as proferirdes na minha presença, até que se mude a situação; portanto, dizei-me o sonho, e saberei que me podeis dar-lhe a interpretação”.

Daniel 2:10 – “Responderam os caldeus na presença do rei e disseram: Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige; pois jamais houve rei, por grande e poderoso que tivesse sido, que exigisse semelhante coisa de algum mago, encantador ou caldeu”.

Daniel 2:11 – “A coisa que o rei exige é difícil, e ninguém há que a possa revelar diante do rei, senão os deuses, e estes não moram com os homens”.

Daniel 2:12 – “Então, o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os sábios da Babilônia”.

Daniel 2:13 – “Saiu o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os sábios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos”.

Os argumentos utilizados pelos “sábios” foram frágeis demais. Quando os adivinhadores insistiram para que o rei primeiro lhes contasse o sonho acabaram tocando num ponto delicado da questão. Nabucodonosor se irou.

Se eles se reconheciam incapazes de lhe contar o sonho, seriam igualmente incapazes de lhe dar a interpretação correta. Foi neste momento que o rei perdeu a paciência e os entregou aos cuidados do chefe da guarda, com ordens de executá-los.

Daniel 2:14 – “Então, Daniel falou, avisada e prudentemente, a Arioque, chefe da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios da Babilônia”.

Daniel 2:15 – “E disse a Arioque, encarregado do rei: Por que é tão severo o mandado do rei? Então, Arioque explicou o caso a Daniel”.

Daniel 2:16 – “Foi Daniel ter com o rei e lhe pediu designasse o tempo, e ele revelaria ao rei a interpretação”.

Daniel 2:17 – “Então, Daniel foi para casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros”,

Daniel 2:18 – “para que pedissem misericórdia ao Deus do Céu sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia”.


O jovem Daniel pediu um prazo para dar a solução ao sonho do rei. Conseguido o prazo, foi para casa, e junto com seus companheiros rogou a Deus misericórdia a fim de que não perecessem.

Tanto em situações de emergência como em tempos normais, Daniel era um homem de oração. Há momentos, no entanto, em que há necessidade de companhia e comunhão na oração.

Unidos em espírito, os jovens dobraram os joelhos rogando a Deus que, lá de cima, viesse a resposta. Grande parte do tempo solicitado foi gasto em oração ao único Deus que poderia prover a resposta.

A oração é mais do que algo necessário todos os dias, a oração é algo que se precisa o dia todo.


Deus Honra a Fé de Daniel

Daniel 2:19 – “Então, foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; Daniel bendisse o Deus do céu”.

Daniel 2:20 – “Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder”;

Daniel 2:21 – “é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes”.

Daniel 2:22 – “Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz”.

Daniel 2:23 – “A ti, ó Deus de meus pais, eu Te rendo graças e Te louvo, porque me deste sabedoria e poder; e, agora, me fizeste saber o que Te pedimos, porque nos fizeste saber este caso do rei”.

A primeira coisa que Daniel fez ao receber a revelação foi glorificar o Deus dos Céus. Muitas pessoas agem como cristãos quando se trata de pedir a bênção a Deus, mas agem como ateus quando se trata de agradecer-Lhe pelas bênçãos concedidas. O exemplo de Daniel nos mostra que devemos ser fiéis em todos os momentos.

Daniel 2:24 – “Por isso, Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para exterminar os sábios da Babilônia; entrou e lhe disse: Não mates os sábios da Babilônia; introduze-me na presença do rei, e revelarei ao rei a interpretação”.

Daniel intercedeu por aqueles homens e o rei lhes poupou a vida. Quantas vezes os injustos são beneficiados pela presença dos justos! Se apenas dez justos pudessem ser encontrados em Sodoma, a multidão de perversos seria poupada por causa deles. Mesmo assim os perversos ridicularizam e perseguem exatamente aqueles, por meio de quem muitas vezes, suas vidas são poupadas.

Daniel 2:25 – “Então, Arioque depressa introduziu Daniel na presença do rei e lhe disse: Achei um dentre os filhos dos cativos de Judá, o qual revelará ao rei a interpretação”.

Arioque tentou dar a Nabucodonosor a impressão de que ele estivera procurando alguém para interpretar o sonho do rei e, como resultado de sua diligente busca, finalmente encontrara. Ele estava ansioso para obter alguma vantagem do que aconteceria a seguir.

Daniel 2:26 – “Respondeu o rei e disse a Daniel, cujo nome era Beltessazar: Podes tu fazer-me saber o que vi no sonho e a sua interpretação?”

O rei parecia estar questionando a habilidade de alguém tão jovem e inexperiente poder fazer aquilo que os seus veneráveis sábios não conseguiram.

Daniel 2:27 – “Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exige, nem encantadores, nem magos nem astrólogos o podem revelar ao rei”;

Daniel 2:28 – “mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios, pois fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser nos últimos dias. O teu sonho e as visões da tua cabeça, quando estavas no teu leito, são estas”:

Na presença do rei, Arioque atribuiu a si mesmo a totalidade do mérito de haver encontrado a Daniel. Por outro lado, o jovem hebreu nenhum mérito reclamou para si próprio, dispensando qualquer crédito pessoal pela revelação.

Uma orientação sábia nos adverte: “Cuide dos pensamentos; eles se tornam palavras. Cuide das palavras; elas se tornam ações. Cuide das ações; elas se tornam hábitos. Cuide dos hábitos; eles se tornam caráter. Cuide do caráter; ele determina o seu destino”.

Daniel estava preparado para responder às perguntas do rei terrestre a respeito do sonho porque havia se comunicado primeiro com o Rei Celestial. Devemos aplicar o mesmo princípio às nossas atividades na vida diária, se queremos ser vitoriosos.

Daniel não sentiu vergonha de confessar o seu Deus diante do rei. Mas explicou que não possuía qualquer sabedoria nem conhecimento superior como razão para o que diria ao rei. Atribuiu a revelação e sua explicação completamente a Deus.

O Senhor revelou a Daniel o significado do sonho de Nabucodonosor, e assim o disse:

Daniel 2:29 – “Estando tu, ó rei, no teu leito, surgiram-te pensamentos a respeito do que há de ser depois disto. Aquele, pois, que revela mistérios te revelou o que há de ser”.

Daniel 2:30 – “E a mim me foi revelado este mistério, não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses as cogitações da tua mente”.

Daniel 2:31 – “Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; esta, que era imensa e de extraordinário esplendor, estava em pé diante de ti; e a sua aparência era terrível”.

Daniel 2:32 – “A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de bronze”;

Daniel 2:33 – “as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”.

Daniel 2:34 – “Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou”.

Daniel 2:35 – “Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a Terra”.

O rei nunca havia ouvido um milagre como esse. Ali estava alguém que podia tornar explícitas as particularidades de um sonho sem que tivesse recebido nenhuma pista de ninguém.

Na antiguidade, as pessoas desenvolviam a adoração pública ajoelhando-se aos pés das imagens de seus deuses. Algumas dessas imagens eram muito grandes. Talvez tenha sido por essas duas razões que Deus decidiu revelar os eventos futuros ao rei pagão, utilizando a figura de uma imensa e deslumbrante estátua.

Daniel 2:36 – “Este é o sonho; e também a sua interpretação diremos ao rei”.

Daniel 2:37 – “Tu, ó rei, rei de reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória”;

Daniel 2:38 – “a cujas mãos foram entregues os filhos dos homens, onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves do céu, para que dominasses sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro”.

Esta declaração torna evidente que a cabeça simbolizava o poderoso e magnífico império babilônico, rico em ouro. Mas a despeito de sua glória, este império devia passar.

Daniel 2:39 – “Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual terá domínio sobre toda a terra”.

O segundo reino seria a Medo-Pérsia, representada pelo peito e dois braços de prata da estátua – um império mundial proveniente da união entre medos e persas. Em 539 a.C o general persa, Ciro, derrotou o império babilônico e estabeleceu a segunda potência universal.

O profeta de Deus antecipou o destino infeliz de Babilônia, enquanto essa ainda era a metrópole mais importante do mundo, sem qualquer perspectiva de ser destruída por agentes humanos. Em Isaías 45:1 temos uma profecia que, além de citar o nome de Ciro, menciona detalhes de como ele conquistaria a cidade de Babilônia.

Duzentos anos mais tarde, em 331 a.C, a Medo-Pérsia caía diante das forças da Grécia comandadas por Alexandre, o Grande. Este império é representado pelo ventre e quadris de bronze. Este também daria lugar a um outro reino universal.

Daniel 2:40 – “O quarto reino será forte como ferro; pois o ferro a tudo quebra e esmiúça; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará”.

O ferro simbolizava o tremendo poder do “quarto reino” da terra. O ferro é mais forte do que o ouro, a prata e o bronze. As duas pernas simbolizavam o quarto império. Roma Oriental e Ocidental.

Depois da morte de Alexandre, seu império se enfraqueceu e foi dividido entre facções rivais, até que finalmente em 168 a.C, na batalha de Pidna, o "Império do Ferro", esmagou a Grécia.


De Roma Aos Dias Atuais

O Império Romano foi o que mais durou, o mais extenso e o mais poderoso. O imperador romano, César Augusto, era quem governava quando Jesus nasceu por volta de 2000 anos atrás. Cristo e os apóstolos viveram durante o período representado pelas pernas de ferro.

Daniel 2:41 – “Quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte, de barro de oleiro e, em parte, de ferro, será esse um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo”.

Daniel 2:42 – “Como os dedos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será frágil”.

Daniel 2:43 – “Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro”.

Aqui fica claro que não surgiria novamente um novo e grande império, mas divisões do quarto. Durante o quarto e o quinto séculos da era cristã, mais especificamente em 476 da era atual reinos bárbaros vindo do norte, invadiram o decadente império romano, destruindo as barreiras.

Finalmente, dez das tribos ganharam a maioria do território ocidental de Roma, e dez nações distintas e independentes se estabeleceram dentro das fronteiras da Europa. Os dedos representavam as nações que deram origem à Europa atual. A História confirma que os reinos que resultaram da divisão do Império Romano foram os seguintes:

Francos (França), anglo-saxões (Inglaterra), alemanos (Alemanha), suevos (Portugal), visigodos (Espanha), burgundos (Suíça), lombardos (Itália) e os vândalos, hérulos e ostrogodos que mais tarde foram destruídos.

Daniel disse: “Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão uns aos outros, assim como o ferro não se mistura com o barro”.

Durante anos muitos homens tentaram unir esses reinos novamente para formar um quinto império mundial, mas, todos fracassaram. Os casamentos deram-se especialmente entre as casas reinantes.

Quando irrompeu a 1ª Guerra Mundial, quase todos os monarcas da Europa eram parentes. A rainha Vitória da Inglaterra era chamada a “avó da Europa”, pois quase todos os reis pertenciam à sua dinastia.

O rei da Espanha, o czar da Rússia, o rei da Inglaterra, o imperador da Alemanha, etc., todos eram parentes. Nesta guerra brigaram entre si: tios, sobrinhos e avós. O resultado foi que quase todos os reinos caíram e foram substituídos por repúblicas.

Alguns governantes tentaram em vão unir as nações da Europa: Carlos Magno, Luís XIV e Napoleão Bonaparte da França; Carlos V da Espanha; Guilherme II e Adolf Hitler da Alemanha. Todas tentativas frustradas.

Hitler foi o último que tentou unificar as nações da Europa através da 2ª Guerra Mundial (1939 –1945). A História nos revela que todo seu exército foi derrotado pelo frio da Rússia. Através da Natureza, Deus mostrou que nem Hitler, nem ninguém atrapalhariam seu plano. A profecia se mantém em pé: não se uniram!

Esta profecia nos garante que não haverá o quinto império mundial. Os impérios abrangidos pela estátua histórica foram quatro: Babilônia (605 – 539 a.C.); Medo-Pérsia (539 – 331 a.C.); Grécia (331 – 168 a.C.) e Roma (168 a.C – 476 a.D.). Foram estes os quatro impérios mundiais. Qualquer livro de História confirmará a seqüência e as datas.

O notável cumprimento desta profecia constituiu uma prova evidente de que efetivamente “há um Deus nos Céus” que dirige todo o Universo, inclusive esta Terra.

Daniel 2:44 – “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre”,

Daniel 2:45 – “como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação”.

Estes reis são as divisões que surgiram com a queda do império romano – as atuais nações da Europa Ocidental. Vivemos no tempo destas nações, no tempo representado pelos dedos dos pés da estátua e por isso concluímos que o estabelecimento do Reino de Deus está próximo.

A figura mais importante no capítulo 2 de Daniel não é Nabucodonosor, nem Daniel, tampouco a estátua. É a Pedra.

Quem é a pedra? – A Bíblia deixa claro que a pedra representa Jesus Cristo (Is 28:16; I Co 10:4; Ef 2:20). O próprio Jesus confirmou isso em Lucas 10:17-18, usando o mesmo símbolo de Daniel. Ele disse a Seu próprio respeito: “A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular”.

Aqui, Jesus Se refere a Si próprio como sendo a pedra angular de Isaías. E prossegue: “Todo o que cair sobre esta pedra, ficará em pedaços [ou seja, converter-se-á]; e aquele sobre quem ela cair, ficará reduzido a pó”. A pedra que reduz a pó é a pedra sobrenatural de Daniel.


É importante relembrar que a pedra sobrenatural não feriu a estátua em sua cabeça de ouro (Babilônia), ou em seu peito de prata (Medo-Pérsia), tampouco em seu ventre e coxas de bronze (Grécia), ou mesmo nas pernas de ferro (Roma). A Bíblia diz que ela feriu a estátua nos pés e dedos, e que seria “nos dias destes reis”, ou seja, em nossos dias, que o Deus do Céu estabeleceria um reino que jamais será destruído.

Daniel 2:46 – “Então, o rei Nabucodonosor se inclinou, e se prostrou rosto em terra perante Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e suaves perfumes”.

Daniel 2:47 – “Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério”.

Daniel 2:48 – “Então, o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitos e grandes presentes, e o pôs por governador de toda a província da Babilônia, como também o fez chefe supremo de todos os sábios da Babilônia”.

Daniel 2:49 – “A pedido de Daniel, constituiu o rei a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego sobre os negócios da província da Babilônia; Daniel, porém, permaneceu na corte do rei”.

Durante algum tempo, Nabucodonosor sentiu-se influenciado a reverenciar o único e verdadeiro Deus. A revelação do futuro do mundo fez com que um rei pagão se prostrasse em reverência ao Rei dos reis.

Não há mais como negar o poder de Deus a autenticar cada linha das Escrituras Sagradas. Nela se podem ver as próprias digitais do Senhor. O fato de que o sonho de Nabucodonosor se cumpriu ao pé da letra nos dá a garantia de que a parte que ainda falta [a pedra] também se cumprirá. A volta de Cristo a este mundo é o último evento desta profecia a se cumprir.

A História do mundo move-se para o glorioso alvo do quinto reino universal – O REINO DE DEUS.

Por centenas de anos a prece “Venha o Teu Reino” tem sido pronunciada por milhões de pessoas. Quando esta prece for respondida, a longa e escura noite de tragédias e tristezas terá o seu fim para sempre. O eterno sonho de todo homem – paz e segurança – se tornará realidade, assim como o sonho de Jesus, que sempre foi o de morar conosco.

“O maior motivo pelo qual Deus nos revelou o breve futuro é simplesmente por que Ele nos ama e quer que cada um de nós esteja preparado para viver em seu reino eterno”.


- Texto da Jornalista Graciela E. Rodrigues, inspirado em palestra do Dr. Mauro Braga, advogado em S. Paulo.

(Fonte: www.iasdemfoco.net)

EXEGESE DE ISAIAS 53:11


UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB
CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA DE ISAIAS 53:11

Por: Jorge Schemes
Primeiramente é interessante considerar várias versões do texto sagrado para que tenhamos uma idéia geral de seu sentido básico.
“Depois de tanta aflição verá a luz, e ficará satisfeito. Com seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará as iniqüidades deles” (Versão de N.R.V.).
“Pelas fadigas de sua alma verá a luz e se contentará. Por suas desfeitas justificará meu servo a muitos e as culpas deles ele suportará” (Bíblia de Jerusalém – Edição Espanhola).
“Verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito: com seu conhecimento meu justo servo justificará a muitos, pois ele mesmo carregará com suas iniqüidades”. (Santa bíblia, Versão Moderna, Sociedade Bíblica Americana).
“Depois de tanta aflição ele verá a luz, e ficará satisfeito ao sabê-lo, o justo servo do Senhor libertará a muitos, pois carregará a maldade deles”. (Versão Popular da Bíblia em Espanhol – Dios Habla Hoy).
“Livrada a sua alma dos tormentos verá, e o que verá satisfará a sua alma e seus desejos, o Justo, meu servo, justificará a muitos, e carregará com as iniqüidades deles”. (Sagrada Bíblia, Biblioteca de Autores Cristãos).
“Verá o fruto das preocupações de sua alma e ficará saciado. Este mesmo justo, meu servo, diz o Senhor, justificará a muitos com sua doutrina e pregação, e carregará sobre si os pecados deles”. (Bíblia Sagrada Versão Catelhana de Félix Torres Amat – Revista Católica).
“Ele verá o fruto das fadigas de sua alma, ele estará completamente satisfeito. Por seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e ele levará os pecados deles”. (Minha Versão baseada em: The Interlinear Hebrew/Greek English Bible, Vol. 3).
Minha Versão em Hebraico em transliteração da Bíblia Hebraica (Isaias 53:11):
“ME AMAL NAPESHO YIRE ET YISEBO BEDA ETTO YASEDDYK ABEDDY LORABBYM WA AONOTAM HU YISEBBEL”.
Faremos uma análise das palavras AMAL = trabalho; e EVED = servo.

AMAL (trabalho) – É uma palavra que significa trabalho mas com os olhos na sua dificuldade. É trabalhar duramente com demasiado esforço. É o esforço de trabalhar suas mãos para terminar uma tarefa, mas sempre com uma atenção particular nas dificuldades. AMAL tem o significado do ato em si mesmo, mas também é o resultado do ato; que neste caso é o fruto ou produto do trabalho. O servo do Senhor não teria que sofrer por nada ou de graça, mas haveria uma recompensa por seu esforço.
Os cantos do servo são uma seqüência e há uma progressão que leva ao clímax em Isaias 52:13-53:12; no quarto canto do servo. Parece que o trabalho do servo é sem resultado, mas ele espera em Deus sua recompensa; é isso o que indica a palavra AMAL. Como exemplo temos a experiência de Jesus quando estava sofrendo na cruz e não havia ninguém que estivesse crendo nele, mas um dos ladrões foi sem dúvida o primeiro fruto do trabalho do Messias (Cf. Luc. 23:39-42).
Sem dúvidas Jesus Cristo “trabalhou tendo os seus olhos fixos não apenas nas dificuldades, mas também, e muito mais nos resultados”. (Cf. Mat. 26:36-46). Quando no Getsemâni sua humanidade reinou por um momento diante do sofrimento, mas com os olhos cheios de amor ele olhou ao futuro e viu os resultados de seu esforço, ele viu a cada um de nós.

EVED (servo) – Em Isaias a palavra, servo, aparece 61 vezes e destas 53 vezes ela está relacionada com YHWH, ou seja, “servo de Yahweh”. A raiz da palavra pode também ser traduzida como escravo. Além disso a palavra servo está determinada em seu sentido como conceito oposto (ADON) Senhor. Como conceito relacional, EVED adquire seu pleno significado, ou seja: servo subalterno, súdito, ministro.
Que um homem se denomine como servo de Deus, ou se chame servidor de Deus no AT é conseqüência natural da concepção de Deus como Senhor. A associação primária da palavra EVED não é a de estar submetido, mas a de pertencer ao Senhor e estar protegido por ele. A única diferença essencial na relação do servo entre os homens e entre o homem e Deus consiste em que o servo de um homem pode significar também uma gravíssima diminuição da existência, enquanto que ser servo de Deus significa sempre ter um bom Senhor. Nunca pode significar escravidão em sentido negativo.
Mais especificamente o significado de servo de YHWH nos cantos do servo de Deus (Isaias 42:1-53:12) só é possível esclarecer pelo conjunto dos textos. O sofrimento do servo (52:13-53:12) está estreitamente ligado com a atuação de Deus na história humana. Há comentaristas que sugerem que o servo de Deus descrito na perícopa é Ciro, ou Zorobabel ou mesmo o próprio Israel. Mas, temos de considerar que no texto o profeta fala claramente do servo como uma figura distinta de Ciro, Zorababel e Israel. O servo é retratado como uma figura individual, e além disso devemos considerar que ao ter fracassado o serviço de Israel a Deus, o próprio Deus se encarrega de eliminar o pecado do povo. Através de seu serviço atua YHWH como confirma o texto de Isaias 52:13-53:12.
De acordo com muitos comentaristas, muito se tem escrito sobre a identificação do servo do Senhor apresentado em Isaías 40-55; ainda que a expressão ocorra apenas em Isaías 42:19. Uma ampla relação do sentido da palavra servo tem sido feita, mas temos que considerar que o sentido e o uso da palavra servo no AT segue em textos do NT. Na LXX EVED é mais traduzido como DOULOS = escravo. De maneira muito significativa, Jesus é chamado de servo do Senhor (Cf. Atos 3:13, 26; 4:27,30), provavelmente identificado aqui como o servo de Isaías 53:11. O próprio Cristo se colocou em posição de servo, se humilhou até a morte e morte de cruz (Cf. Filip. 2:6-8), mas obteve a vitória eterna (V. 9-11). Baseado em atos 8:26-40 o servo de Isaías 53 é nada menos que o próprio Jesus (V. 35).

Bibliografia:

Archer, Gleason. Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1991.

Davidson, Benjamin. The Analytical Hebrew and Choldee Lexicon. Michigan: Zondervan P.H., 1970.

Stuart, Douglas. Old Testament Exegesis: A Primer for Students end Pastors. Philadelphia: Westminster Press, 1984.

EXEGESE DE ROMANOS 1:1

UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB
CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

EXEGESE DE ROMANOS 1:1
O Significado da Expressão: Servo de Jesus Cristo
(Grego: Doulos Cristou Iesou)


Por: Jorge Schemes*


O texto original em grego diz: “PAULOS DOULOS CRISTOU IESOU KLETOS APOSTOLOS APHORISMENOS EIS EUANGELION THEOU”. (Paulo, um escravo de Jesus Cristo, chamado apóstolo que foi separado para o evangelho de Deus). A Bíblia de Jerusalém traduz o texto assim: “Paulo, servo de Jesus Cristo. Apóstolo por vocação, escolhido para o evangelho de Deus”. Contudo, temos que notar a ausência do artigo definido antes da palavra Apóstolo no original grego. Paulo começa sua carta assinando no começo pois este é o costume da sua época, isto é, indica o nome e dá certa informação do autor no começo e não no final como geralmente fazemos hoje.

Mas, quem Foi Paulo? A carta aos Romanos começa com um nome pessoal, Paulo. Não é por acaso que ele começou assim, pois um nome não é uma mera palavra de rotina, e principalmente no caso de Paulo que era um dirigente religioso. Ao iniciar a carta de Romanos com o seu nome Paulo assume sua responsabilidade pois seu nome o colocava em evidência. Sem dúvidas que a mensagem do seu Senhor começa com o nome, a humanidade do profeta sob a inspiração do espírito Santo de Deus (Cf. II Pedro 1:21).
Vamos considerar algumas características da vida pessoal de Paulo. Nascido em tarso da Cilicia por volta do ano 10 de nossa era, de uma família judia da tribo de benjamim, mas ao mesmo tempo cidadão romano. Havia um pacto entre Roma e Tarso de que quem nascia em Roma era Tarsiano e quem nascia em Tarso era Romano. Logo, Paulo era, com certeza, cidadão Romano por nascimento. Podemos concluir também que Paulo foi também Hebreu por nascimento, educação e sentimentos pois foi capaz de denominar-se “hebreu dos hebreus” (Cf. Filipenses 3:5). Em Romanos 11:1 lemos que era da tribo de Benjamim. Siegfried Horn sugere que talvez colocaram seu primeiro nome como Saul, o primeiro rei de Israel, o qual também era da tribo de Benjamim.
As Escrituras Sagradas não dizem quase nada acerca de seus pais. Há apenas uma menção passageira a sua mãe (Cf. Gálatas 1:15). Segundo Atos 23:16 Paulo não era filho único, pois neste texto é mencionado o filho da irmã de Paulo. Mas, pouco se sabe de sua família. Atos 22:28 faz menção ao seu pai como um cidadão romano e talvez fariseu (Cf. Atos 23:6); Se foi assim podemos supor que Paulo procedia de uma família de certa importância na sociedade judaica. Jerônimo, historiador judeu, afirma que os pais de Paulo viveram originariamente na região da Galileia, e que por volta do ano 04 antes de Cristo foram levados como escravos a Tarso, onde obtiveram sua liberdade, prosperaram e se tornaram cidadãos romanos.
Assim, a vida de Paulo começou em tarso, e como todo judeu foi circuncidado ao oitavo dia. O mundo na época de Paulo era culturalmente heterogêneo e era um mundo poliglota. Sem dúvida havia uma multidão de idiomas diferentes, sendo o grego a língua franca do império e o latim além da língua vernácula de cada grupo.
Os comentaristas estão de acordo ao afirmarem que Paulo recebeu dois nomes por ocasião de seu nascimento. Devido ao contexto poliglota e multicultural no qual nasceu Paulo ou Saulo, ele tinha dois nomes. Pode Ter acontecido o seguinte: quando foi circuncidado recebeu um nome judeu: Saulo, mas como vivia numa comunidade gentil foi lhe dado também um nome latino: Paulus, cujo significado equivale em grego a Pauros, que significa “pequeno garoto”.
Talvez como hebreu Paulo se identificaria ou se apresentaria assim: sou Saulo, o fariseu de Jerusalém; e talvez como cidadão romano assim: sou Paulo cidadão de Tarso. Portanto, a suposta modificação ou mudança de seu nome não tem fundamento, e certamente não está relacionada com sua conversão no caminho de damasco. Mas o que pode ter acontecido foi uma transição do uso de um nome para outro, mas por quê? Segundo James Dunn, Paulo como cidadão romano gozava de privilégios, então desde que Paulo se converteu no apóstolo dos gentios desejava desfrutar de mais liberdade para levar o evangelho ao mundo da época. Desde que Saulo era um nome pouco familiar fora dos círculos judaicos, a transição do uso do seu nome foi um feito natural; assim, Paulo refletia seu compromisso e sua responsabilidade como apóstolo dos gentios.
O Doutor Siegfried Horn afirma que Paulo (Gr. Paulos) é mencionado até Atos 13:9 com o nome de Saulo (Gr. Saulos, do Hebraico Shaul = pedido [a Deus]; Cf. Atos 7:58); e dali em diante só é mencionado como Paulo, exceto no relato que ele mesmo faz de sua conversão (Cf. Atos 22:7,13; 26:14). Horn também sugere que o apóstolo tem dois nomes e que em seus contatos com os judeus talvez usasse o nome hebreu Saulo, e por outro lado usava seu nome greco-romano, Paulus, em contato com os gentios, aos quais desejava evangelizar.
Ma há muita especulação com respeito a isso, e a mais possível talvez seja a que esteja relacionada com o contexto histórico de seu nascimento. Portanto é claro perceber que Paulo expressa seu nome como cidadão romano numa carta para os fiéis cristãos da capital do império, uma igreja de cristãos judeus e gentios. Uma coisa é certa, que sua conversão foi decisiva para que ele mudasse o uso do seu primeiro nome para o segundo, ou seja, Saulo estava relacionado a sua vida farisaica (judia) e Paulo era um nome mais próprio para aproximar-se dos gentios como ele mesmo escreveu; “Me faço fraco para com os fracos [...]”, então eu creio que Paulo estava fazendo-se gentil para ganhar os gentios, com relação ao uso de seu nome num mundo gentílico. Paulo desejava Ter uma nova visão de si mesmo, não mais como Saulo, o fariseu, mas como Paulo, o apóstolo (aquele que foi enviado com uma missão) para os gentios.
Paulo, desde sua juventude recebeu uma educação profundamente religiosa segundo as doutrinas farisaicas. Saulo tinha um orgulho especial por ser fariseu, vivia como um fariseu “conforme a mais rigorosa seita da religião judaica” (Cf. Atos 26:5; Filp. 3:5). Saulo recebeu duas fortes influências para ser um fariseu: a primeira foi a de seu pai, que segundo a indicação do próprio Paulo era talvez um fariseu; a outra por meio da educação que recebeu sob a tutela de Gamaliel I (Cf. Atos 5:34; Atos 23:6). O certo é que Saulo chegou a ser o partidário mais fanático de sua seita (Cf. Atos 5:34), e desta maneira colocou o fundamento para sua futura e enérgica cruzada contra Jesus representado em sua igreja militante (Cf. Atos 9:4). Além de estar envolvido na morte de Estevão (Cf. Atos 7-8:1-3), Paulo foi um feroz perseguidor da nascente igreja cristã.
Como fariseu Paulo considerava Jesus como um impostor, uma vez que acreditava na salvação pelas obras, em recompensa por méritos, no sofrimento purificatório e na graça acrescentada aos méritos próprios, ou seja, a salvação era obra humana ajudada pela graça de Deus quando faltavam ações meritórias.
Entretanto Saulo foi tocado bruscamente no caminho de Damasco, pela aparição de Jesus Cristo, que revelou a ele a verdade da fé cristã e lhe fez conhecer sua missão especial de apóstolo dos gentios (Cf. Atos 9:1-22). É neste ponto que Paulo ou Saulo começa a se transformar em “Servo de Jesus Cristo”.

Servo de Jesus Cristo (Gr. Doulos Cristou Iesou)
Paulo não inicia sua carta aos Romanos com orgulho, ele jogou fora toda exaltação própria ao declarar que era um servo de Jesus Cristo (Gr. Cristou Iesou = Salvador Ungido). Paulo teve toda sua mente e filosofia farisaica de salvação mudada quando encontrou ao seu Senhor. E agora começa escrevendo que é servo, escravo do Senhor dos senhores, Jesus Cristo.
O que Paulo tinha em mente ao escrever a palavra “servo” (Gr. Doulos = escravo)? Estava dizendo que sua personalidade e sua liberdade estavam anuladas? Não tinha mais liberdade para fazer sua própria vontade?
A palavra servo que Paulo usa é no original grego Doulos, que significa escravo; mas Paulo não usa a palavra Doulos como algo comum simplesmente. O que ele deseja dizer é que ele não é mais escravo do farisaísmo cheio de justiça própria, mas agora é escravo do “Senhor Justiça Nossa”. O apóstolo dos gentios se denomina a si mesmo como Doulos de cristo Jesus.
Granfield sugere que o contexto para sua própria designação como escravo está embasado no Antigo Testamento. Para a tradição grega a palavra Doulos tem uma conotação muito negativa. Por outro lado, no Antigo Testamento a palavra é usada com ois sentidos ou significados: revela as relações entre reis e servos, mas também é empregada para mostrar o relacionamento entre o ser humano e Deus. Talvez Paulo esteja tirando a expressão Servo de Jesus Cristo de sua herança judia, uma vez que no Antigo Testamento os judeus se consideravam em geral como servos de Deus, sendo que a aplicação de servo de Deus também é usada em relação a grandes pessoas ou profetas, como por exemplo Moisés.
James Dunn sugere que o uso da palavra servo pelo povo de Israel lhe dava um sentido peculiar e exclusivo de que eles pertenciam somente a Jeová. Ao usar a mesma expressão, não significa que Paulo estivesse pretendendo a mesma posição dos antigos profetas, mas ele talvez estivesse chamando a atenção da igreja em Roma de que ele não pertencia mais a si mesmo e que era tão exclusivo para Deus como pessoa como foi o povo de Israel. Paulo estava dizendo que ele pertencia e dependia do seu Senhor.
Paulo frequentemente usa a palavra Doulos em seus escritos. Colin Brown afirma que o título Servo de Jesus Cristo é usado por Paulo para referir-se a um de seus colegas, Epafras (Cf. Col. 4:12). Brown sugere que a palavra Doulos tem uma ligação próxima com a palavra Diáconos (aquele que serve ou servo). Mas, a palavra Doulos é distinta pois revela um sentido de subordinação, obrigação e responsabilidade para com o seu Senhor.
O conceito Paulino de escravidão está intimamente relacionado ao conceito de liberdade, ao mesmo tempo em que todos somos chamados para a liberdade, somos chamados também para ser servos uns dos outros em amor (CF. Gal. 5:13). O próprio Paulo se faz a si mesmo servo de todos por meio do evangelho (Cf. I Cor. 9:19).
É interessante notar que a frase servo de Jesus cristo é amplamente usada no vocabulário cristão primitivo. Para os apóstolos na liderança da igreja, mas também para a comunidade cristã em geral (Atos 4:29; I Cor. 7:22).
É importante perguntar: Por que Paulo é um escravo? Que status ocupa como Doulos?
Em seu livro “Slavery as Salvation”, Dale Martin informa que na sociedade romana os escravos não ocupavam posições comuns como escravos apenas, mas muitos deles serviam em casas particulares e alguns como escravos livres. Desta maneira podemos imaginar que havia diferentes graus de escravatura e diferentes senhores. Sendo assim, os próprios escravos viviam e estavam em diferentes status.
Quando um escravo era mudado de lugar, mudava também sua situação, a qual podia ser menos ou mais importante. Por exemplo: um escravo no palácio do imperador e um escravo numa casa mais pobre. Resumindo, a situação de um escravo estava relacionada com a autoridade e grandeza de seu senhor. Logo, ser um escravo de Jesus Cristo não é para Paulo uma vergonha ou um status baixo, mas é simplesmente o mais alto lugar de serviço. Seu valor como escravo está ligado a posição de seu senhor. Paulo é um exclusivo escravo de Jesus Cristo (Gr. Iesous Cristou). O que significa ser servo do Senhor? O nome do Senhor é importante nesta relação, “Iesous”, segundo Mouton é a forma grega para o nome Joshua em Hebraico, e foi amplamente usado pelos judeus tanto antes como depois da era cristã. Então era um nome comum, simples, mas Paulo não está falando de um personagem comum, pois este Iesous é o Cristou, que segundo Smith é o Mesias, ou seja, o Ungido do Senhor YHWH. A escravidão de Paulo está intimamente relacionada com o senhorio de Cristo, pois Ele é o Kyrios, aquele que tem poder, autoridade, é mestre, é Senhor, Kyrios é um título divino para Jesus e usado depois de sua ressurreição, Ele é o vitorioso Senhor, Eterno Senhor, Rei dos reis e poderoso Deus. Todavia o Kyrios também vestiu a posição de servo quando assumiu a natureza humana (Cf. Filip. 2:7).
A palavra servo (Gr. Doulos) na luz da cultura greco-romana e dos costumes gregos é mais tarde contrastada com o título familiar usado para os súditos do imperador, como sendo seus escravos, mas Paulo o relaciona não com o imperador, mas sim com Jesus Cristo. Doulos descreve uma absoluta dependência e um total compromisso com o Kyrios e ao mesmo tempo revela a total soberania do Kyrios acima do Doulos. Todavia Paulo não é um servo ou escravo por temor, porque seu serviço está baseado no amor do seu senhor, o qual foi provado e escrito com sangue (CF. Romanos 5:6-8).
Paulo era um escravo de Cristo por amor, se considerava propriedade de Cristo e completamente sob seu controle. No império romano havia uma lei que obrigava ao escravo a estar a mercê absoluta de seu amo, para a vida ou para a morte, estava sujeito ao menor capricho de seu dono. Assim era com Paulo, não havia separação entre ele e Jesus, os dois eram um, a personalidade, o caráter de seu senhor estavam gravados (Gr. Tupos) em Paulo. Uma vez que Jesus o havia comprado com seu sangue e o havia redimido da escravidão do pecado e de seu farisaísmo, agora livre do poder do pecado era um escravo da justiça (Cf. Romanos 6:18). Isso não o conduzia a uma vida independente, pelo contrário, sua liberdade o levava à obediência pela fé em Cristo, Paulo se apresentava ao seu senhor como seu servo (Cf. Romanos 12:11). Por essa razão Kittel afirma que a frase Doulos Iesou Cristou não pode ser separada do entendimento de relacionamento dos cristãos com Cristo. Paulo não é meramente aliado de Jesus Cristo, ou seu súdito, ou seu amigo, pois como escreveu Handley Moule: “a liberdade do evangelho é a cara de prata do mesmo escudo cuja cara de ouro é a vassalagem incondicional ao senhor libertador”. Ser um escravo é terrível no abstrato; ser escravo de Jesus Cristo é o paraíso no concreto. A rendição de si mesmo, efetuada em solidão, é lançar-se ao frio vazio. Mas quando se trata da rendição ao Filho de Deus que nos amou e se entregou a si mesmo por nós (Cf. Gálatas 2:20), é o iluminado volver da alma ao lar, ao centro e à esfera da vida e do poder.
Paulo como Doulos não se relacionava com Cristo numa base legal, jurídica, forense ou meritória como havia feito no farisaísmo. Ele é escravo de Jesus Cristo, um nome pessoal e oficial, ou seja, nosso senhor, nosso profeta, nosso sumo sacerdote e rei, sob o qual Paulo está servindo e seu serviço é baseado em um relacionamento pessoal, em uma fusão de personalidades (Cf. Gálatas 2:20). Com certeza Paulo não estava se declarando independente de Jesus Cristo, e tão pouco superdependente dele, mas sim seu servo particular, seu tesouro particular, herança exclusiva de Deus e sua propriedade definitiva; Paulo estava comprometendo-se com seu Senhor (Kyrios) para sempre como um escravo livre.
Nos tempos de Paulo muitos escravos obtinham sua liberdade e havia várias maneiras de obtê-la, mas os escravos escolhiam ficar com seus senhores e donos pois era mais vantajoso e seguro, ainda eram escravos, mas livres. Outros escolhiam permanecer porque haviam se identificado tão completamente com seus senhores que já não desejavam ir adiante. Paulo desejou ficar com Jesus como seu servo porque também foi chamado; James Edwards sugere que Paulo tirou a expressão “servo” do livro de Isaías capítulo 49 versos 3 e 6, onde Deus fala a respeito de seu servo ao qual Ele enviaria aos gentios para levar sua mensagem de salvação. A própria vida de Paulo foi um comentário deste verso, ele se considerou a si mesmo como o apóstolo dos gentios (Cf. Gálatas 2:9), e seu desejo e aspiração era pregar aos judeus e gentios como “servidor do Messias Jesus”.

Bibliografia:

MOULE, C. G. Handley. Exposición de la Epistola de San Pablo a los Romanos. Buenos Aires: 1924.

EDWARDS, James R. New International Biblical Comentary on the Epistle to the Romans. Massachusetts: Hendrickson Publishers, Vol. 6, 1992.

SIMPSON, A. B. La Epistola a los Romanos. Chile: Imprenta y editorial alianza, 1997.

HORN, Siegfried H. Diccionario Biblico Adventista del Séptimo Dia. Argentina: ACES, Vol. 8, 1995.

DUNN, James D. G. Word Biblical Commentary. Texas: Word Books Publisher, Vol. 38, 1988